terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Rafting: cada um tem a sua maneira de fazer as coisas, de viver e de sobreviver.

Já faz tempo que eu queria fazer rafting e ainda não havia surgido uma oportunidade, mas na viagem que fiz no final de Dezembro ao Sul do Brasil com a família pude então experimentar. Todas as vezes que pratico algum esporte do tipo radical estou invariavelmente sozinha, o que é muito bom, pois qualquer ansiedade é canalizada para o que estou a fazer, mas desta vez foi diferente, estava com meus irmãos, cunhada e sobrinha, fomos ao todo um grupo de 8 pessoas. Tudo muito divertido. Acordamos cedo, chovia e fazia frio, como todos os dias que passamos em Canela, Rio Grande do Sul. Não há qualquer problema de praticar rafting com chuva. A Van foi nos pegar na Pousada, carregávamos conosco outra muda de roupa, toalha de banho, meia, documento de identidade e máquina fotográfica. O grupo fez a excelente opção por alugar uma roupa própria para o esporte. Não fica caro e é o melhor a fazer já que protege o corpo e o mantém aquecido. Eles disponibilizam calçados, o inconveniente é que estão sempre molhados, pois não há como secar, por uma questão de higiene é importante levar a própria meia. 

Fotografia Carolina Tavares - 27 de Dezembro 2011
Canela - Rio Grande do Sul

Há um truquezinho para colocar a roupa que é genial. Um saco plástico enfiado em ambos os pés, fazendo com que a roupa deslize.

Fotografia Carolina Tavares - 27 de Dezembro 2011
Canela - Rio Grande do Sul

Este é o tênis que me deram... ahanhan... legal!!!  Está encharcado, mas a meia é bem grossa e diminuiu a sensação desagradável.

Fotografia equipe Rafting - 27 de Dezembro 2011
Canela - Rio Grande do Sul

Não memorizei o nome do rio, mas é um lugar com uma natureza exuberante, muito bela, e que transmite muita paz. A chuva deu trégua e quando veio foi em forma de pingos, o que compôs o ambiente.

Fotografia equipe Rafting - 27 de Dezembro 2011
Canela - Rio Grande do Sul

Este é o meu bote, estou sentada na frente do meu irmão. Antes de começarmos todo o percurso recebemos orientações e treino de como proceder. Quando ouve a divisão do grupo para os botes eu confesso que não gostei muito do bote em que fiquei, pois achei o outro instrutor mais simpático. Ali antes de haver a divisão dos botes perguntei alguma coisa a J. e ele me respondeu meio rápido demais, tipo não gosto de papo. Esperei ele retornar do que foi fazer e olhei-o no rosto e lhe disse, tu não gosta muito de papo não é mesmo? Ele espantou-se e disse-me, até que não, eu gosto de conversar. Bom, isto foi o suficiente para quebrar o gelo e o sujeito parecer mais amigo.

Todas as informações são dadas com clareza, sabemos que não devemos perder o remo por nada desse mundo, que se deve ter cuidado para não dar uma remada no companheiro, que se deve manter-se preso ao bote enfiando os pés nos tubos, e também que o corpo deve procurar o seu equilíbrio ao estar sentado no bote. A equipe que está no mesmo bote deve remar em sincronia e é bem legal quando isso acontece, e assim o bote desliza na água. Certamente o comando vem do instrutor, mas não sei bem o porquê eu o repetia em voz alta. Acho que facilitava para mim o entendimento. Às vezes suspendíamos o remo e o bote ia ao sabor da água, delícia. Outras era remo para frente ou remo para trás, então o bote gira e se acomoda no fluxo da água. Quando encalhava J. dava o seu jeito. Por vezes o comando era para todos irmos para o mesmo lado do bote, então nos deslocávamos e assim equilibrávamos o peso.

Tudo estava a ir muito bem... até que o bote virou e eu fiquei presa embaixo do bote. Abri os olhos e estava submersa n¨água, embaixo do bote, presa. Naquele momento pensei que fosse morrer. Tudo se deu muito rápido, são frações de segundo. O que passou em minha mente rapidamente foram quatro pensamentos:

1- Já vi esta cena em filme e há pessoas que morrem.

2- É um bote, não é um barco, por isso não há hélice (a hélice é cortante, é outro perigo).

3- O bote é estreito. É possível sair debaixo dele.

4- Eu consigo sair.

Quando saí não conseguia respirar. Só sei que vomitei, buscava o fôlego desesperadamente. Ninguém fazia nada, todos me olhavam, eu não entendia aquilo, achava que alguém deveria fazer alguma coisa. J se aproximou e olhando-me nos olhos me disse para me acalmar. Foi quando eu consegui responde-lo, não sei como, em meio a tentar buscar o fôlego. Naquele momento o fato de eu ouvir a minha própria voz, e de ter conseguido respondê-lo foi mais importante para mim do que qualquer coisa. Segurei-o pelas mãos e mantive-o perto de mim. Fui me acalmando aos poucos e a respiração voltou ao normal. Então abracei J. e ficamos um tempo abraçados. Ninguém fez nada, eu é que fiz. Sei muito bem que quando uma pessoa está em choque, em meio a um susto enorme ela necessita ser contida, abraçada (isto se não fornecer perigo, ou seja, quanto não há risco de fratura). Eu mesma busquei o abraço e me acalmei. Foi um susto enorme, pensei de fato que fosse morrer. Depois o outro bote virou no mesmo lugar, e eu só sosseguei quando soube que todos estavam bem.

Fotografia equipe Rafting - 27 de Dezembro 2011
Canela - Rio Grande do Sul

Amei fazer rafting. Não sei se faria novamente, a não ser que me garantissem que o bote não vá virar, e o que de fato acho que é impossível. Há outros riscos, como o de cobra e aranha em volta do rio, e deve-se tomar cuidado com o remo para que este não sirva de ponte para que nenhum desses animais possam ter acesso ao bote. Já imaginou... aff...

Fotografia equipe Rafting - 27 de Dezembro 2011
Canela - Rio Grande do Sul

No domingo passado, dia 1 de Janeiro, já em casa, assisti a um filme que estava gravado há algum tempo esperando a minha disponibilidade. Acho que não poderia ser mais oportuno.  The River Why (2010). Este filme me fez lembrar a beleza da paisagem natural em torno daquele rio, e o fato de que cada um tem a sua maneira de fazer as coisas, de viver e de sobreviver.

Fotografia Carolina Tavares - 27 de Dezembro 2011
Canela - Rio Grande do Sul

16 aroma @ sabor:

  1. It's a very good serie photo's Carolina,
    must be a fantastic experience.

    Greetings, Joop

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  2. Que belas fotos e que belas paisagens naturais.
    Deve ter sido uma experiência maravilhosa.

    Bjs

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  3. Oi Carol!
    Quanto tempo, guria! Quanta saudade! Amei ver teu comentário no BAR DOS NAVEGADORES. Faz muito tempo que não escrevo lá e, simplesmente, isso não sei explicar o porquê. Mas, enfim, o melhor do meu blog, são os amigos que conquistei, como você.
    Puxa! Que legal que estiveste no sul, em Canela. A serra gaúcha é, simplesmente, fantástica, mesmo! Os caras conseguiram fazer uma estrutura de turismo lá, como poucas no mundo.
    Quanto ao post, Adorei! Adoro essas coisas, esse tipos de esportes radicais, de sentir a adrenalina na veia...rsrs. Nunca fiz Rafting, mas logo, logo, pretendendo embarcar em um bote desses, pois faz tempo que tenho esse plano. Ao ler seu post, a vontade só aumentou. Estou também planejando fazer uma aventura radical, mas só conto depois de acontecer. Talvez, tu até já tenhas feito essa...rsrs.
    Ando por aqui por POA, trabalhando, e vivendo a vida. Em dezembro, quando vc estava aqui, fui ao RIO e conheci Petrópolis, que sempre foi uma vontade que tinha desde a infância, quando se estuda o Brasil Imperial. Tudo lindo e maravilhoso.
    Pois é, Querida! Fiquei muito feliz com tua lembrança, que estás bem, pois tu sabes levar a vida como eu, feliz e vivendo cada instante.
    Uma hora dessas volto a escrever no blog, pois assuntos não faltam...rsrs.
    Que bom te reencontrar.
    Beijo gostoso, cheio de saudade...

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  4. Joop,

    It was a remarkable experience in every way.

    Kiss

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  5. Filipe,

    O lugar é muito bonito. Quanto a experiência digo-te que é muito melhor do que ficar só no sofá.

    Bjs

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  6. Saudades Paulo. Volta a escrever quero ler tuas histórias.

    Ah... e quanto a Tere, o que achaste? É uma cidadezinha muito aconchegante. Gosto imenso de lá.

    A serra gaúcha é indescritível... barbaridade!

    Quero saber do que andas tramando.

    Beijo gostoso, cheio de saudades...

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  7. Penso que se queremos viver com intensidade e a vida nos proporciona alguns momentos assim.. a minha leitura foi a mesma sobre o momento: rafting. Achei divertido, muito harmonico e de certa forma arriscado...(embora o rio estivesse metade do que poderia estar...) mas viver por si só é arriscado.. acho que com o passar do tempo vamos perdendo a coragem e ousadia da junventude... queremos fazer e sentir emoções com mais segurança... já tive diversas situações de cara com a morte em pleno mar...engolir agua, socas, ser arrastado, perder o folego, as vezes perto da areia, as vezes em piscina, em lagoa, em lago, em pequenos locais, os mais calmos possiveis, mais por frações de segundo o risco chegou e passou... era a hora de viver um pouco mais além...amo esportes Náuticos, porque amo o mar, amo nadar e amo a água... não existe nada melhor do que mergulhar e ouvir o barulho da água, por isso se algum dia quando a vida acabar para... que ela seja na água.. feliz ... foi um prazer enorme competir contigo minha irmã, "Por vovó venceremos" e "Iahbadabado"foram duplas pra la de dinamicas... Brother BSB

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  8. rsrs... a vida é um grande navegar. Viver é preciso, navegar é preciso... navegar e amar.

    Beijos

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  9. Great experience...
    Happy New Year !
    Best wishes from France,

    Pierre

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  10. Pierre,

    Thank you. Wishing you a Happy New Year in Brazil.

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  11. It is a good to play anything in nature. That is a wonderful experience.
    But take care of yourself, your friend and your family next time.

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  12. Yas,

    Nature offers risks, I know I have to respect them. Thankfully.

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  13. Muito bom. Acredito que os níveis de adrenalina sobem imenso ao praticar Rafting. Também nunca o fiz. Mais uma coisa para adicionar à minha lista de coisas para fazer :)

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  14. Martini,

    Dá uma onda gostosa de adrenalina, bem relaxante por sinal. O lugar é muito lindo, muito mesmo.

    O rafting e o vôo de helicóptero (parece folha de papel) em Ushuaia foram os dois que eu senti o perigo mais de perto. Cuida-te sim :)

    Beijos

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  15. Uau! Sempre pensei em fazer, mas a sua experiência de ficar presa debaixo do bote e a possibilidade de cobras e aranhas subirem pelo remo e chegarem até a gente... Arranhou um pouco a curiosidade... Affff! Fiquei agoniada aqui enquanto te lia e pensava:
    - ela tá bem, se fez esse post é pq ficou td bem!
    Eu hein! Gostei não...rsrs
    Beijo, beijoooooooo
    She

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  16. She,

    Obrigada pelo manifestação de carinho em forma de preocupação. Não foi nada fácil... agora é uma delícia se correr tudo bem, mas se der tilte... foi-se. Fiquei agoniada, acho que ganhei outra vida.

    Beijos

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