domingo, 26 de fevereiro de 2012

A Invenção de Hugo Cabret

Hoje a noite é do Oscar 2012, e o filme A Invenção de Hugo Cabret concorre com 11 indicações na premiação, sendo elas na categoria de: melhor filme, melhor direção, melhor direção de arte, melhor figurino, melhor edição, melhor trilha sonora, melhor fotografia, melhor edição de som, melhor mixagem de som, melhores efeitos visuais e melhor roteiro adaptado.

Achei o filme fantástico, e do meu ponto de vista a única falha é o fato do filme não ter sido filmado em francês, no mais é simplesmente mágico. Até o momento posso dizer sem sombra de dúvida que foi o melhor filme que vi este ano.

A Invenção de Hugo Cabret é um conto escrito por Brian Selznick que traz a história de um garoto (interpretado por Asa Butterfield) que aprende com seu pai a arte de concertar relógios e seus mecanismos complexos e delicados. Enquanto eles trabalham juntos na recuperação de um boneco mecânico, um autônomo, seu pai morre, e o menino órfão vai viver com o tio em uma grande estação de trem em Paris, passando a fazer a manutenção e o preciso controle do grande relógio da estação. Sempre na busca por terminar o concerto do autônomo, na esperança que ele contenha alguma mensagem de seu pai, Hugo conhece George Méliès (interpretado por Ben Kingsley) e este acontecimento vem a mudar-lhe a vida.

George Méliès (1861-1938) foi um ilusionista francês, e apesar dos irmãos Auguste e Louis Lumière terem criado o cinematógrafo, foi ele quem deu forma ao cinema como conhecemos hoje, pois ao se encantar com o potencial da nova invenção, ele foi pioneiro ao utilizá-la. Conhecido como o pioneiro dos efeitos especiais, Méliès deu forma e sentido ao novo invento, que na mão de seus criadores era visto como uma atividade de pouco futuro e foi ele quem criou o primeiro estúdio cinematográfico da Europa sendo o primeiro profissional a utilizar storyboards para realizar suas obras, contabilizadas em mais de 500 filmes.

A adaptação de A Invenção de Hugo Cabret para os cinemas ficou por conta de Martin Scorsese, que fez do filme uma grande reverência à sétima arte. O emprego da metalinguagem no filme é a declaração apaixonada de um cineasta a sua própria arte, uma espécie de agradecimento do próprio Scorsese àquilo que dá significado a sua existência neste mundo, de fato uma carta de amor ao cinema por um dos maiores entusiastas da sétima arte.

Se você algum dia pensou de onde vêm seus sonhos... é aqui onde eles são feitos.
George Méliès

O filme possui pequenos detalhes do cotidiano francês que não podem deixar de ser mencionados, como o fato de se passar em uma estação de trem, sendo estas consideradas como de extrema  importância em toda França; o foco dado a três cachorros que aparecem em cena e o fato curioso de provavelmente haver mais cachorros por habitantes em Paris do que em qualquer grande cidade do mundo; o colche de flores da florista, bem típico na Europa e que é pouco comum no Brasil; e por último quando Hugo sonha com um trem descarrilando. Quem pensa que foi só um sonho engana-se, pois o acontecimento refere-se a um fato real ocorrido em 22 de Outubro de 1895, o acidente de trem que ocorreu na Estação de Montparnasse, em Paris. No momento em que se aproximava da estação, o maquinista não conseguiu frear o trem, devido ao excesso de velocidade, quando então a locomotiva derrubou a mureta de proteção no fim da linha, atravessou o terraço, destruiu parte da fachada da estação e despencou de uma altura de dez metros. O que foi um dos acidentes ferroviários mais impressionantes da história da França está presente na fachada do Museu Mundo a Vapor localizado na Estrada Gramado/ Canela, Rio Grande do Sul, Brasil (aqui). 

web image
Acidente de Trem na Estação de Montparnasse
Paris - 1895

web image - Museu Mundo a Vapor
Estrada Gramado/Canela 
Rio Grande do Sul - Brasil

Sobretudo o que se posso dizer do filme, A Invenção de Hugo Cabret é que ele é um maravilhoso conto sobre a importância de cada um de nós nesse mundo, e que sintetiza o tanto que é precioso conservar e preservar a sensação de pertencimento diante das intempéries da vida.

Everything has a purpose, even machines. Clocks tell the time, trains take you places. They do what they’re meant to do, like Monsieur Labisse. Maybe that’s why broken machines make me so sad, they can´t do what they’re meant to do. Maybe that’s the same with people. If you lose your purpose, it’s like you’re broken. 
Hugo Cabret


Se você perder o seu propósito, é como se estivesse quebrado.

5 aroma @ sabor:

  1. Ainda nao o vi mas desta semana não escapa.

    Já estive em Montparnasse. Belissima, como qualquer outro lugar em Paris.

    ResponderExcluir
  2. Filme curioso... parece apaixonante e sonhador.

    ResponderExcluir
  3. Já vi e gostei bastante, em particular a fotografia do filme. Mas deixa-me dizer que adorei este teu post que ainda enriqueceu mais esta película.

    ResponderExcluir
  4. Quando vi adorei o filme, nomeadamente por retratarem certos pormenores parisienses, a fotografia, o pormenor do café tão tipicamente parisiense, a florista, a livraria. A história apesar de triste é ternurenta. Não fazia ideia de que o acidente tivesse de facto acontecido, que curioso! Uma das qualidades dos filmes bons é que nos fazem pesquisar e aprender um pouco mais.

    ResponderExcluir