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Um Lugar na Platéia (Fauteuils d' orchestre, 2005) é um filme francês, classificado como comédia romântica. Um Lugar na Platéia retrata a história de Jessica (Cécile de France), uma jovem que mora no interior da França e que procura a Paris glamorosa, sob a influência da avó (Suzanne Flon, para quem o filme foi dedicado, e veio falecer logo após o término das filmagens, aos 87 anos), que era obcecada por luxo. Por não conseguir um emprego no Hotel Ritz, ela acaba por se tornar uma garçonete em um café na Avenue Montaigne. Nesta avenida concentra um teatro, uma sala de concertos, uma casa de leilões, e o café no qual ela trabalha, tudo bem próximo um do outro. Deslumbrada com o que vê e ouve Jessica passa a viver em um mundo que não é seu, e já que não possui um papel no palco glamoroso da vida, ela batalha ao menos para ter um lugar na platéia. Para tanto Jessica enfrenta o mau humor diário do seu chefe no café, que apesar do mesmo modo que ela, não possuir acesso ao mitiiê, a trata de maneira grosseira e prepotente. Com sua simpatia e trabalho, no entanto ela consegue aproximar-se da elite Cult, do pianista, da atriz, do colecionador e de seu filho, mas recebe deles uma atenção que não passa de pura gentileza, em retribuição a sua simpatia.
Jessica ao abandonar suas origens e lutar para ser inserida de alguma maneira em outra classe social, mesmo que se submetendo a viver a margem, ela passa a não usufrui da vida por inteiro, ela não vive o que poderia viver em sua cidade do interior, com seus amigos e família, muito menos usufrui da vida glamorosa, a qual não pertence. Trajando a mesma roupa durante todo o filme e sem ter onde dormir, Jessica caminha pela avenida olhando os preços das vitrines, sonhando com uma vida da qual muito provavelmente nunca será inserida.
Agora não penses que o filme é deprimente, não, a personagem está sempre alegre e quase nunca se abate, o que é extremamente contraditório diante da diferença existente entre as classes sociais que o filme aponta. As contradições apresentadas em Um Lugar na Platéia, que são vividas tanto por aqueles que estão a encenar no palco ou na posição de quem está a assistir ao espetáculo da platéia, retratam perfeitamente as contradições humanas, os conflitos existentes, internos e externos.
Em um determinado momento do filme o pianista comenta antes de uma apresentação, tendo o teatro lotado:
- A maioria das pessoas em meus concertos briga para conseguir um espaço na frente, bem perto. Elas não sabem que esse não é um bom lugar no teatro. O melhor lugar da platéia é nem tão perto, nem tão longe. Ali no meio o som é o mais sincero e confortável possível.
Pelo que se pode perceber nem todos terão um lugar no glamoroso palco da vida, e para aquelas pessoas que fazem a questão de estar na platéia para assistir ao espetáculo, também há um melhor lugar a ser disputado. C'est la vie.
Não poderia terminar sem antes fazer menção a outro aspecto interessante do filme, é a referência que este faz a arte, em inúmeros detalhes, os quais eu destaco dois, a participação do diretor de Hollywood, Sydney Pollack, que aparece em uma ponta inusitada, e inserção, em algumas das cenas, da escultura Le Baiser (O Beijo), do artista romeno Constantin Brancusi (1910), peça esta que foi criada em homenagem à uma amiga que se suicidou por amor.
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Le Baiser, Constantin Brancusi (1910)


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