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No mês de Dezembro é de praxe ofertar, a pessoas queridas e próximas, presentes. O ato de dar presentes se constitui em uma arte a ser aprendida, sendo necessário que se tenha atenção em alguns detalhes importantes como, a quem se oferta, a ocasião em que se oferta e o modo como se oferta.
Há pessoas que ao comprarem um presente para dar a um amigo ou parente pensam em si mesmas, no que gostariam de ganhar. Encantam-se pela prenda, chegam a desejá-la para si mesmas, sendo isto que motiva a sua compra. Às vezes verbalizam o seu desejo ¨Achei lindo, gostei tanto que comprei para ti.¨ Não que o fato de ter gostado seja um quesito a ser desconsiderado, mas deve-se levar em conta o gosto de quem vai receber como o ponto mais importante. Outro aspecto a ser considerado é quando o que motiva aquela oferta está relacionado ao universo de valores e crenças pessoais, como por exemplo, quem é religioso oferta um livro de preceitos religiosos, incenso, santinhos, enfim, artigos relacionados com a própria fé. Não é de bom tom pressupor que a pessoa vá se agradar de algo relacionado ao conjunto de crenças de quem doa, ou mesmo de tentar impor algum tipo de crença pessoal a alguém.
O sistema de gosto pessoal e valores também podem ser considerados como algo delicado, pois cada um tem o seu. Há as pessoas que gostam de receber flores e há as que não gostam, as que são alérgicas, as que acham que as flores são para enfeitar cemitério, as que não gostam de ter flores em casa, enfim, quem oferta pode amar flores e querer comprar um vaso ou buquê, mas é bom procurar saber qual é a opinião de quem vai receber, e se gosta, qual é o tipo de flor, e cor da flor que a pessoa mais gosta. Quanto ao chocolate, o mesmo se dá, ele poderá ser usado como artifício para acalmar as mulheres na TPM, mas há as mulheres que estão de dieta, outras que são alérgicas e há aquelas que não gostam. Existe uma variedade de chocolates, e quem quiser ofertar deverá procurar saber qual o tipo agrada mais a quem quer presentear.
Podemos incluir nesta categoria, os perfumes, sabendo que uma essência poderá agradar a uma pessoa e desagradar à outra, é muito particular, e caso decida-se por ofertar um perfume, deverá ser o que a pessoa usa e gosta, e não um aroma que acha que a pessoa vai gostar. A idéia é sempre, nunca tente impor nada do que é seu ao outro.
Outro fator crucial é que hoje em dia, com a crise em que vivemos é necessário que se observe a utilidade do presente, pois ganha-se muita coisa inútil, e que acaba por ser largada, a ficar sem uso em um canto.
O que deve ser observado, portanto, quando se presenteia é o gosto e o desejo de quem vai receber. Quando oferta-se um presente a amigos e parentes próximos, geralmente se consegue saber o gosto da pessoa, o que torna tudo mais fácil, mas caso a pessoa não seja do ciclo íntimo, outros pontos podem e devem ser observados como sinalizadores.
A idade da pessoa é um dos pontos a ser considerado, por exemplo, crianças. Brinquedos para crianças devem observar a faixa etária, que normalmente vem escrito na própria embalagem. Não adianta dar um brinquedo para a criança que não adquiriu a capacidade cognitiva e motora de utilizá-lo, o que irá acontecer é que os responsáveis irão guardá-lo até que a criança possa usufruir do mesmo. Os brinquedos não devem ser impróprios, no sentido de oferecer perigo, como peças pequenas demais que podem ser engolidas ou feitas com algum tipo de material tóxico. Geralmente a criança prefere brinquedos a ganhar roupa. Os filhos únicos não devem ser presenteados com jogos que se joga em grupo, ele poderá não ter com quem brincar. Os idosos geralmente já possuem de tudo, são bem difíceis de presentear. Às vezes precisam de algo em particular, mas é bom ficar atento a doenças próprias da idade, as alergias, e o perigo, por exemplo, com relação a presentear sapato, observando se possui antiderrapante, e no caso de tapetinhos, ou coisas que possam oferecer perigo, eles não são aconselháveis.
A estação do ano e o local em que a pessoa mora, também é outro sinalizador. Uma pessoa que mora no campo ou no interior tem por hábito certos costumes que a pessoa que mora nos grandes centos urbanos não possui, bem como o clima poderá influenciar na escolha do presente.
O gênero também é um bom sinalizador, havendo gostos bem femininos e outros masculinos, lembrando que há variação de pessoa para pessoa. Há mulheres que adorariam ganhar uma camisa de time, outras não dão à mínima. Há homens que gostam de cozinhar e gostariam muitíssimo de um conjunto de facas, e outros que só pegam na faca à mesa, portanto, cada um é cada um. Cuidado com os furos.
Outro aspecto dentro do quesito ocasião refere-se à própria ocasião. Há pessoas que apregoam a ausência de ocasião para ofertar, o que é de muito bom gosto e elegância, além de expressar espontaneidade. Existem também ocasiões que não são necessariamente festivas, mas que o presentear significa delicadeza, como por exemplo, uma visita a casa de uma pessoa amiga, ou quando nasce um bebê, também na devolução de algo emprestado, ou na ocasião de hospitalização de um ente querido, enfim, sempre que se fizer necessário uma demonstração de apreço, carinho, educação e delicadeza.
A ocasião que se oferta. Pensar a data é importante porque há tantos furos que se vê por ai. Quando chega o dia das mães o que mais se ouve é mãe dizendo que não quer nada para casa e sim para si própria, e com toda razão. Ouve época em que as mães só ganhavam utilidades do lar, até o dia em que elas aprenderam a falar e lhes foi concedido o direito de ser mulher para além de ser mãe. Casamento, bodas de prata e etc., já são ocasiões diferentes, o que se oferta é presente para o casal, para casa e não individualmente. Salvo quando os pais da noiva ou do noivo ofertam um presente para o filho que está a casar, fora isso, os convidados deverão celebrar o enlace ofertando ao casal e não ao indivíduo. Na formatura poderá se ofertar um livro, uma caneta, enfim, algo relativo à profissão, e por ai vai sempre se adequando.
Mas se quem oferta observar todos estes quesitos, e na hora H de ofertar não for elegante, deitará por terra todo o processo. A embalagem conta? Claro que conta. Um papel amassado, uma caixa danificada, é demonstração de pouco caso de quem oferta. Uma hora crucial é aquela a da entrega do presente. Há pessoas que ao entregarem o presente detonam verbalmente o que compraram, o que é sem dúvida um comportamento desqualificador, de menos valia a si próprio e ao outro. Então cuidado com o que se diz. Um sorriso no rosto, um gesto de carinho e o cuidado com todos estes detalhes só demonstra educação, boas maneiras, delicadeza e elegância.
Presentear não implica necessariamente em gastar muito dinheiro. Com poucos recursos poderá se ofertar presentes especiais que nunca serão esquecidos, basta se ter a exata noção de quem, quando e como ofertar.
Por fim, a arte de presentear significa essencialmente parar de olhar para si próprio e voltar o olhar para o outro. Saber presentear é conseguir dar espaço ao desejo do outro.